Canteiro l Amalia Giacomi

Texto Curatorial | Canteiro | Amália Giacomini

Nossa visão do mundo surge de constantes e variadas interações. Somos a soma de inúmeras sensações de ordem visual, auditiva, olfativa e tátil. Não se pode escapar do fato de que pessoas criadas em ambientes distintos, também vivem em mundos sensoriais diferentes. Tudo o que fazemos e somos está vinculado à vivência do espaço.
Se toda experiência humana é espaço-temporal, em “Canteiro” Amália brinca, desconstrói e ressignifica o espaço com a certeza de que dele depende a infalibilidade da memória e do tempo. É neste jogo que surge o encantamento: destituído de padrões adquiridos e da obrigação do olhar funcional, o espectador desperta imediatamente para aspectos normalmente imperceptíveis.
Qual a função da dobradiça senão dobrar (“Dobra Dura”)? Decerto a mesma de um “abridor de amanhecer1”, um “encolhedor de rios1” ou um “esticador de horizontes1”, desconstruir a imagem, deslocar o olhar do útil, fazer imaginar ou fazer poesia. Veja bem o que diz a imagem no “Quadro negro”, talvez o nome da obra não seja acaso, mas um alerta, uma instrução. Nem tudo está ali.
Amalia Giacomini é uma artista do espaço. Utilizando-se de materiais corriqueiros como madeirite, correntes, linhas de costura e giz, suas obras constroem lugares únicos a partir do diálogo minucioso e preciso com o local de sua instalação. Na busca pelo desvio que singulariza o objeto, ou pelo ângulo que distorce o racional, “Canteiro” relembra que “Aqui o espaço é tudo, pois o tempo já não anima a memória”. (Bachelard, 1993, p. 28-29)

1 BARROS, Manuel. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro



Canteiro

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